
A opção de se ficar em casa é cada vez mais atraente, diante da infinidade de entretenimentos gerada pela mídia e pela facilidade de acesso a bens culturais via downloads ou cópias piratas.
No entanto, o que é pirateado não são os conteúdos, e sim os seus SUPORTES TRADICIONAIS: cds, dvds, livros...
As obras serão sempre as mesmas, ao menos que se trate de reedições e remixagens. Portanto, o que tem que se pensar atualmente são em novos formatos de suporte, que inovem o mercado e neutralizem a pirataria.

O grande desafio é conciliar as possibilidades de democratização do acesso à cultura que as novas tecnologias permitem, com novos modelos de se gerar receita para remunerar o artista pelo seu trabalho.
Para isso, as indústrias culturais têm que se renovar e se adequar aos novos tempos.
Como fazer com que as novas tecnologias, de ameaças, se tornem aliadas?
Como conquistar e fidelizar novos públicos nesse ambiente?
Nosso grupo se propõe a refletir sobre essas questões.
2 comentários:
O criador do Creative Commons, Lessig, em seu livro Free Culture, faz uma interessante análise de como o compartilhamento de arquivos afeta o mercado, reproduzo aqui um trecho:
"Os participantes das redes de compartilhamento de arquivos compartilham diferentes tipos de conteúdos. Podemos dividi-los em quatro tipos.
A – Esses são aqueles que usam as redes P2P como substitutos para a compra
de conteúdo. Dessa forma, quando um novo CD da Pitty é lançado,
ao invés de comprar o CD, eles simplesmente o copiam. Podemos argumentar
se todos os que copiaram as músicas poderiam comprá-las
caso o compartilhamento não permitisse baixá-las de graça. Muitos
provavelmente não poderiam, mas claramente alguns o fariam. Os últimos
são os alvos da categoria A: usuários que baixam conteúdo ao
invés de comprá-lo.
B – Há alguns que usam as redes de compartilhamento de arquivos para
experimentarem música antes de a comprar. Dessa forma, um amigo
manda para outro um MP3 de um artista do qual ele nunca ouviu falar.
Esse outro amigo então compra CDs desse artistas. Isso é uma forma
de publicidade direcionada, e que tem grandes chances de sucesso. Se o
amigo que está recomendando a música não ganha nada recomendando
porcarias, então pode-se imaginar que suas recomendações sejam realmente
boas. O saldo final desse compartilhamento pode aumentar as
compras de música.
C – Há muitos que usam as redes de compartilhamento de arquivos para
conseguirem materiais sob copyright que não são mais vendidos ou que
não podem ser comprados ou cujos custos da compra fora da Net seriam
muito grandes. Esses uso da rede de compartilhamento de arquivos
está entre os mais recompensadores para a maioria. Canções que eram
parte de nossa infância mais que desapareceram há muito tempo atrás
do mercado magicamente reaparecem na rede. (Um amigo meu me
disse que quando ele descobriu o Napster, ele passou um fim de semana
inteiro “relembrando” músicas antigas. Ele estava surpreso com a gama
e diversidade do conteúdo disponibilizado.) Para conteúdo não vendido,
isso ainda é tecnicamente uma violação de copyright, embora já que
o dono do copyright não está mais vendendo esse conteúdo, o dano
econômico é zero — o mesmo dano que ocorre quando eu vendo minha
coleção de discos de 45 RPMs dos anos 60 para um colecionador local.
D – Finalmente, há muitos que usam as redes de compartilhamento de arquivos
para terem acesso a conteúdos que não estão sob copyright ou
cujo dono do copyright os disponibilizou gratuitamente.
Como esses tipos diferentes de compartilhamento se equilibram?
Vamos começar de alguns pontos simples mas importantes. Do ponto
de vista legal, apenas o tipo D de compartilhamento é claramente legal. Do
ponto de vista econômico, apenas o tipo A de compartilhamento é claramente
prejudicial. O tipo B de compartilhamento é ilegal mas claramente benéfico.
O tipo C também é ilegal, mas é bom para a sociedade (já que maior
exposição à música é bom) e não causa danos aos artistas (já que esse trabalho
já não está mais disponível). Portanto, como os tipos de compartilhamento
se equilibram é uma pergunta bem difícil de responder — e certamente mais
difícil do que a retórica envolvida atualmente no assunto sugere.
Se o compartilhamento equilibrado resulta em prejuízos depende em o
quão prejudicial o tipo A de compartilhamento é. Da mesma forma que
Edison reclamou de Hollywood, os compositores reclamaram das pianolas, os
músicos reclamaram do rádio, e as redes de TV reclamaram da TV a cabo,
a indústria musical reclama que o tipo A de compartilhamento é um tipo de
“roubo” que está “devastando” a indústria.
Embora os números sugiram que o compartilhamento é prejudicial, o quão
prejudicial ele é torna-se algo mais difícil de definir. Não é de hoje que a
indústria fonográfica culpa a tecnologia por qualquer queda nas vendas. O
caso das fitas cassete é um bom exemplo. Como um estudo de Cap Gemini
da Ernst & Young afirmava, “ao invés de explorarem essa nova e popular
tecnologia, os selos [musicais] preferem lutar contra ela”. Os selos reclamavam que cada álbum gravado em fita era um álbum que deixava de ser
vendido, e quando as vendas caíram em 111,4% em 1981, a indústria reclamava
que seu ponto de vista estava provado. A tecnologia era o problema, e
banir ou regulamentar a tecnologia era a solução.
E desde então, e antes mesmo que o Congresso precisasse criar alguma regulamentação, a MTV surgiu, e a indústria teve uma recuperação fantástica.
“No fim das contas”, conclui Cap Gemini, “a ‘crise’ (. . . ) não era culpa dos
que gravam fitas cassete — que não pararam [de gravá-las após o surgimento
da MTV] — mas sim em grande parte da estagnação da inovação na música
por parte dos grandes selos”.
Fala, Léo! Fala, pessoal!
Aqui é o Rafael, amigo da Roberta Pontual. Conversamos ao final da apresentação na faculdade dela. Lembra?
Li algumas coisas, mas prometo ler o resto com mais calma & tempo. Mesmo assim, mto bom o blog! É um assunto que me fascina! Como comentei naquele dia, fiz a faculdade de produção fonográfica da Estácio, com o Mayrton.
Grande abraço e vamos mantendo contato.
Rafa
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