Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008

NOVOS FORMATOS

A indústria cultural entra no século XXI em crise: lojas de disco fechando, cinemas vazios, editoras falidas... Antigos formatos não são mais absorvidos pela rapidez da tecnologia. Os tradicionais suportes são facilmente adulterados, fazendo com que o conteúdo migre para o poder paralelo, fazendo da pirataria uma nova modalidade de crime organizado.



A opção de se ficar em casa é cada vez mais atraente, diante da infinidade de entretenimentos gerada pela mídia e pela facilidade de acesso a bens culturais via downloads ou cópias piratas.

No entanto, o que é pirateado não são os conteúdos, e sim os seus SUPORTES TRADICIONAIS: cds, dvds, livros...

As obras serão sempre as mesmas, ao menos que se trate de reedições e remixagens. Portanto, o que tem que se pensar atualmente são em novos formatos de suporte, que inovem o mercado e neutralizem a pirataria.



O grande desafio é conciliar as possibilidades de democratização do acesso à cultura que as novas tecnologias permitem, com novos modelos de se gerar receita para remunerar o artista pelo seu trabalho.

Para isso, as indústrias culturais têm que se renovar e se adequar aos novos tempos.

Como fazer com que as novas tecnologias, de ameaças, se tornem aliadas?

Como conquistar e fidelizar novos públicos nesse ambiente?

Nosso grupo se propõe a refletir sobre essas questões.

Por sorte, surge a WEB 2.0.

Nos seus primórdios, a internet funcionava como uma mídia tradicional: poucos geravam conteúdos para muitos.



Hoje, a internet é participativa, INTERATIVA, e dotada de uma inteligência coletiva.



Sites como a Wikipedia podem ser editados coletivamente; grandes surfaces de venda mapeiam as compras de seus clientes; sites de relacionamento, como Orkut, FaceBook ou MySpace traçam perfis detalhados... Nesse novo modelo descentralizado, o editor da revista Wired, Chris Anderson, conceituou a chamada CAUDA LONGA: o futuro dos negócios não está mais em vender MAIS DO MESMO, e sim MENOS DE MAIS.



"If the 20th Century Entertainment Industry was about hits, the 21st will be equally about misses."
Chris Anderson

É o mercado de NICHOS por excelência.

O que essas inovações significam para o mundo da música??

  1. a possibilidade de bandas estabelecerem vínculos diretos com o público, neutralizando a tirania das grandes gravadoras.
  2. a possibilidade de acesso ao espaço virtual de bandas e músicos emergentes, potenciais sucessos.

Grandes bandas que buscam inovação e novos modelos de negócio:




RADIOHEADS
O mais célebre caso de revolução no mundo musical, lançaram o disco In Raibows inaugurando o sistema pague-quanto-quiser
Os resultados são impressionantes: 1,2 milhões de pessoas visitaram o site; 
dos que fizeram download do disco, 40% optou por pagar um preço médio de 6 dólares (lembre-se que nesse caso não há intermediários!!); 
os 60% que optaram por não pagar nada, ainda assim tiveram que se cadastrar, entrando para uma valiosa base de dados representativa de segmentos de fans da banda.

Veja os números abaixo:






WHITE STRIPES
Lançou seu último disco Icky Thump em formato de USB drive. Ringo Starr fez o mesmo, com músicas, fotos e ringtones do artista. A EMI assinou um contrato com a fabricante de pendrives SanDisks para lançar, em 2008, novos álbuns no formato, inclusive de música brasileira.




NINE INCH NAILS
Sairam da gravadora Universal e vão lançar o próximo disco com downloads a US$5,00, além de criarem uma comunidade interativa de fans onde é possível se fazer remixes das músicas do grupo.

Leia mais sobre o assunto.

Bands funded by their fans

o Site Sellaband é um bom exemplo de novo formato de negócio. Utilizando a inteligência coletiva, o site seleciona bandas do mundo inteiro com potencial de sucesso e faz com que todos os milhões de internautas possam se tornar sócios de suas bandas preferidas, sendo para tanto necessário um investimento de US$10,00. Quando a banda arrecada US$50.000,00, o próprio site produz o disco e os investidores recebem várias vantagens na comercialização do mesmo. Na verdade, é uma maneira inovadora de se conjugar a web 2.0 com novos modelos de micro-financiamento.



No entanto, até hoje apenas 4 bandas conseguiram chegar aos 50 mil. As milhares de outras bandas que, diferente dos Radioheads ou dos White Stripes, nunca contaram com o apoio de uma grande gravadora para formar uma base sólida de fans, continuam buscando seu lugar ao sol.

Perguntas...


Hoje há uma confusão de novas possibilidades.



Vivemos um tempo de oferta infinita...



Nunca tanta gente esteve interessada em tanta coisa ao mesmo tempo. 




Em meio à tamanha multidão, como se destacar

Como conseguir atrair o público certo, que irá se identificar com o seu estilo?
 
De que forma a internet pode ajudar a agilizar e dinamizar o tradicional processo do boca-a-boca?

É possível fazer uma comunidade virtual se reunir no mundo real?

Como aproveitar a capacidade da web de identificar e reunir nichos específicos de público para trazê-los ao mundo real de consumo e fruição cultural?

E, ao contrário, o que podem os novos músicos emergentes fazerem para ganhar dinheiro no mundo virtual, criando alternativas a shows ao vivo?

São perguntas ambiciosas, mas parece que a resposta a todas elas está nos MICROFORMATOS.

O que são MICROFORMATOS??






- INFORMAÇÃO GRANULAR

- CONJUNTO DE DADOS SIMPLES E ABERTOS

- MODULARIDADE & DESCENTRALIZAÇÃO

- ADAPTAÇÃO DE PRINCÍPIOS DO DESIGN PARA PENSAR A SEMÂNTICA DO FORMATO

- REUTILIZAÇÃO DOS TIJOLOS DO HTML COMO SE FOSSEM PEÇAS DE LEGO



- PADRONIZAÇÃO DOS DADOS

É A WEB PENSANDO PRIMEIRO NOS SERES HUMANOS E DEPOIS NAS MÁQUINAS...

Post-Scriptum: conceito difícil de entender, nosso colega Ivson deu uma mãozinha:

"microformatos são extensões de XML, como as 'folhas de estilo'(css) ou o HTML. A vantagem desses microformatos é que eles permitem criar seções no HTML que seriam como bandeiras, facilitando os diversos mecanismos de busca, robôs e apontamentos por links.
Tentando explicar com um exemplo concreto:
Zé resolve botar seu currículo no blog. Se este currículo estiver escrito assim "currículo", uma busca no google com a palavra "resume" não acharia o currículo do Zé. No entanto, se no HTML do blog houver a diretiva "hResume" (todos os microformatos começam com "h") antecedendo o currículo, o google acharia.
esta seria uma ferramenta poderosa, pois como existem já vários microformatos e, teoricamente, um número infinito deles poderia ser criado com facilidade (para os informatas, bem entendido), o refinamento das buscas seria enorme. No orkut, creio, um robô poderia varrer o site em busca de "hCalendars", o microformato para eventos e montar uma lista de eventos por dia, local, cidade, etc..."



"Um único perfil para todas as redes sociais"

Tantek Çelik, um dos papas do microformato, defende que uma das grande vantagens do novo sistema é que cada usuário pode criar um perfil standard que sirva para todos os sites de relacionamento, com controle de níveis diferentes de privacidade, segundo desejo do usuário. Segundo ele, "possuir um perfil reutilizável permite criar uma rede de redes sociais" e a conseqüência disso seriam dados mais confiáveis nos perfis.

PHISHING - são inúmeros os riscos de fraude (phishing) nessa circulação de informações pessoais em sites de relacionamento. 

No entanto, se usarmos o princípio do uso lícito, devemos pensar em 

COMO UTILIZAR ESSAS REDES PARA FINS CULTURAIS

dinamizando e otimizando essas atividades.


Já existem no mercado empresas que usam softwares de hackers para estudar o perfil de dadas comunidades. Baseadas no Big Brother e no sistema do ORKUT de quem vê quem, verdadeiro filet mignon do marketing no Brasil, essas empresas organizam bancos de dados e divulgam mailing lists para públicos extremamente segmentados.

Segundo a mesma lógica, empresas como a Philips contam com comunidades credenciadas no Second Life. o gerente de Relações com a Imprensa, Tales Rocha, aponta: "Nossa palavra de ordem no Second Life é co-criação. Validamos nossos conceitos nesse universo para tentar transpô-los do mundo virtual para o real. O Second Life é uma poderosa ferramenta para descobrirmos o que os usuários esperam de uma empresa como a nossa".

E completa: "Não podemos ignorar que atualmente um post no blog pode ser um formador de opinião muito mais poderoso que um veículo convencional, principalmente quando se trata de nichos específicos"

BOCA-A-BOCA


Apesar das múltiplas possibilidades que a internet nos dá em termos de promoção de artistas, um enorme funil de qualidade continua sendo o velho e bom boca-a-boca, ao vivo e a cores.

Especialistas da área dizem que, apesar de ferramentas da internet serem eficazes para atingir novos públicos, o boca-a-boca é algo que realmente determina o sucesso de uma banda em tempos de internet, sobretudo aquelas ofuscadas pelas massivas ações de marketing implantadas pelas majors.

Se por um lado a internet abre espaço para milhares de bandas se exporem, gerando um número excessivo de artistas que se promovem ao mesmo tempo, por outro oferece ao consumidor uma maior possibilidade - e liberdade - de escolha daquilo que melhor lhe soa aos ouvidos e, neste caso, a qualidade predomina. Quanto mais informação ele tiver, maior a capacidade de absorver coisas novas e de se escolher de forma mais livre.

Por isso, acreditamos que á preciso encontrar formas para conciliar o uso inteligente da internet, com suas múltiplas ferramentas já existentes e a serem criadas, com uma divulgação real e humana.




O Rio de Janeiro é uma cidade propícia ao encontro, aos programas ao ar livre, à praia no fim da tarde. 





Podemos pensar em uma base de dados tridimensional que possua 3 grandes linhas:
  1. o perfil de seres humanos reais, coletado exaustivamente pela areia da praia, nos bares lotados, nas noites da Lapa, nos grandes shows que reúnem multidões.
  2. o perfil de seres virtuais coletados em sites de relacionamento (Orkut, FaceBook, MySpace, etc) e no Second Life.
  3. o perfil de bandas e músicos emergentes, com detalhamento sobre estilo, influências, conceitos, etc.
O cruzamento dos três universos através de uma matriz de análise de valor poderia apontar de maneira bastante precisa o nicho específico daquela banda, por onde o boca-a-boca poderia se propagar de forma mais eficiente.

A partir disso, poderão surgir novas idéias de suporte, algumas adaptadas apenas à realidade local, mas suficiente para selar aquela relação.

Uma coisa é certa: o mais importante de tudo é que o músico se dedique a fazer boa música e que deixe toda essa parte formal com o produtor, pois todo o resto depende apenas do trabalho dele...

Esse não é um trabalho conclusivo sobre a questão. O que o grupo fez foi uma reflexão sobre a situação atual do mercado musical, tentando tirar proveito das novidades que estão no ar. Não estamos oferecendo nenhum produto final pronto e acabado e sim apontando para novas possibilidades de se inovar no mundo da música.

E como tudo hoje é interativo, adoraríamos ler seus comentários sobre os temas aqui tratados!!